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Pós-graduação

Lei que proíbe foie gras reforça avanço do Direito Animal no Brasil

Uma iguaria tradicional da gastronomia francesa acaba de ganhar um novo significado jurídico no Brasil.

Paulo Gustavo Moreira Jalowyj
Paulo Gustavo Moreira Jalowyj
Coordenador de Marketing, Inovação e Tecnologia.
2 min.
Lei que proíbe foie gras reforça avanço do Direito Animal no Brasil

Foi sancionada a Lei nº 15.475/2026, que proíbe a produção e a comercialização de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais, prática utilizada, por exemplo, na produção do foie gras.

A norma entra em vigor em 180 dias e prevê pena de detenção de três meses a um ano, além de multa, para quem descumprir a proibição.

Fonte: Agência Senado. Brasil proíbe produção e venda de 'foie gras' feito por alimentação forçada

O bem-estar animal chega à legislação federal

A nova lei representa mais um passo na consolidação do Direito Animal brasileiro.

Ao vedar uma prática amplamente criticada por entidades de proteção animal, o texto reforça a compreensão de que a proteção jurídica dos animais não se limita ao combate aos maus-tratos mais evidentes, mas alcança também métodos de produção que provoquem sofrimento desnecessário.

A proposta foi apresentada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) e aprovada pelo Congresso Nacional com o objetivo de fortalecer a tutela jurídica do bem-estar animal.

Uma mudança que vai além da gastronomia

Embora o foie gras seja o exemplo mais conhecido, a lei possui alcance mais amplo.

O texto proíbe a produção e a comercialização de alimentos obtidos mediante alimentação forçada de animais, deslocando o debate do campo gastronômico para uma reflexão sobre os limites éticos da atividade econômica quando confrontada com a proteção da dignidade e do bem-estar animal.

Um movimento que ganha força

A sanção da nova lei não ocorre de forma isolada.

Nos últimos anos, o Brasil tem assistido a uma expansão significativa da legislação voltada à proteção animal.

A criação do Julho Dourado, os debates no Senado sobre o Estatuto dos Cães e Gatos, a inclusão dos direitos animais nas discussões da reforma do Código Civil e decisões judiciais que reconhecem os animais como sujeitos de direitos demonstram que o tema deixou de ocupar posição periférica na agenda jurídica brasileira.

O Direito Animal passa, cada vez mais, a dialogar com áreas como:

  • Direito Constitucional;
  • Direito Civil;
  • Direito Penal;
  • Direito Administrativo;
  • Direito Ambiental.

Formação para uma área em expansão

As transformações legislativas reforçam a necessidade de formação especializada para os profissionais que atuam ou desejam atuar na área.

Nesse contexto, a Faculdade ESMAFE oferece a Pós-Graduação em Direito Animal, coordenada pelo juiz federal Vicente de Paula Ataíde Junior, um dos principais pesquisadores brasileiros do tema.